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Roda Motor

Falar ao celular no volante é um dos atos que contribuem para os acidentes

Distrações são principais responsáveis por acidentes

Por Perkons
Foto Shutterstock

Estar atento às circunstâncias do trânsito é requisito básico para quem vai assumir a direção de um veículo. Passível de penalidade pelo artigo 169 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a falta de atenção reside na maior causa de acidentes de trânsito, de acordo com estudo da revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

Conforme o professor do departamento de psicologia do campus da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, José Aparecido da Silva, embora existam três variáveis do trânsito – motorista, legislação e ambiente -, o homem continua a ser o maior responsável pelo alto índice de acidentalidade. “A falta de atenção é um guarda-chuva para negligências no trânsito. É possível afirmar que entre 60% e 70% dos acidentes fatais no mundo tenha origem na distração”, explana.

Prova disso é a análise feita pelo mesmo estudo que elenca a desatenção como principal causadora de acidentes. Radares, sensores e câmeras instaladas nos carros de 3,5 mil motoristas, que percorreram mais de 90 milhões de quilômetros, detectaram que 68% das 905 batidas ocorridas no período resultaram de distrações. Dentre elas, os potenciais vilões são o uso do rádio, celular e outros equipamentos eletrônicos, hábito inapropriado que aumenta os riscos de acidentes em cerca de 200%.

Em concordância com este dado, o artigo 252 do CTB proíbe o uso de celular associado ao volante. Números e legislação, contudo, parecem não ter efeito na consciência de grande parte dos condutores, que assumem fazer uso do aparelho, apesar de ter conhecimento dos perigos que a prática provoca.

Para Silva, além das facilidades proporcionadas pelo aparelho, o desconhecimento da gravidade dos riscos do mau hábito está entre as justificativas para a insistência na atitude. “O uso de celular associado ao volante sobrecarrega o sistema sensorial, provocando a perda de informação e, por consequência, o aumento do tempo de resposta a estímulos externos. Quando se dá conta, o motorista invadiu a outra pista, atravessou o sinal ou deixou de acender a luz traseira”, esclarece.

Neste sentido, o celular se torna um problema não apenas por estimular o diálogo a todo momento e de qualquer lugar, mas por desacelerar a capacidade cognitiva do condutor. “É diferente de conversar com o passageiro, que calibra a conversa pela situação do trânsito que está vivendo junto com o motorista. Pelo celular, o interlocutor quer uma resposta imediata e ignora os complicadores enfrentados pelo condutor”, compara o professor. Ele lembra ainda que o uso do aparelho se assemelha ao ato de dirigir alcoolizado.

Por fim, ele destaca que outro fator que deve passar por avaliação do condutor,  é o estado emocional prévio ao ato de dirigir. Ele exemplifica que uma discussão no trabalho, na família e até um desentendimento no trânsito podem influenciar na atenção e no comportamento ao volante.

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