Especialistas alertam para a relação entre o consumo de carnes processadas e câncer
O consumo regular de carnes processadas, alimentos ricos em sal, defumados e conservas eleva o risco de desenvolvimento de câncer de estômago. Em geral, a ocorrência desse tipo de câncer está relacionada a fatores como vírus, bactérias e hábitos de vida. Contudo, fatores genéticos e dietéticos, como o consumo de alimentos defumados e industrializados, vêm chamando a atenção dos especialistas. Essa relação foi tema de um estudo realizado em dez países europeus e lançou um alerta para os gaúchos, que possuem hábitos alimentares com ingestão frequente de alimentos defumados ou dieta pobre em vitaminas A e C. No “European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition” se verificou que o grupo de pessoas que possui uma alimentação com grande quantidade de carnes processadas e pobre em frutas e verduras está mais propenso ao risco de morte por câncer.
De acordo com a nutricionista Bruna Alba Gradin, os alimentos defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que já tem a ação carcinogênica conhecida. “Métodos de cozimento que usam baixas temperaturas, como vapor, fervura, pochê, ensopado, guisado, cozido ou assado são escolhas mais saudáveis. Já fritar, grelhar ou preparar carnes na brasa a temperaturas muito elevadas pode criar compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e o colorretal”, explica Bruna. Além do câncer de estômago, outros estudos relacionam esse tipo de alimento com o aparecimento de câncer de pâncreas e intestino.
RS é o terceiro em número de casos
Cerca de 10% dos casos de câncer no aparelho digestivo do Brasil são registrados no Rio Grande do Sul. O Estado é o terceiro em número de casos de câncer no estômago, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca). De acordo com Bruna, fatores genéticos, uso de cigarro e consumo de bebidas alcoólicas destiladas também estão associados ao desenvolvimento de câncer gástrico, que acomete principalmente homens na terceira idade. As estimativas para o Rio Grande do Sul para 2016 são de 15,17 casos para cada 100 mil homens e 8,86 casos para cada 100 mil mulheres. Ainda segundo o Inca, cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com câncer de estômago têm mais de 50 anos e o pico de incidência se dá em homens por volta dos 70 anos.
Sintomas
O câncer de estômago é silencioso. Na fase inicial, a doença não demonstra sintomas específicos, o que contribui para que grande parte dos casos seja diagnosticada em estágio avançado. “Geralmente, os sintomas são atribuídos a indisposições alimentares sem maiores repercussões, o que reflete em uma alta taxa de mortalidade”. De acordo com Bruna, dificuldade para se alimentar e perda de peso são queixas frequentes de pessoas com câncer de estômago. “Com isso o apoio nutricional, que contemple refeições em porções pequenas e fracionadas, com teor adequado de carboidratos, proteínas e gorduras, pode ajudar o paciente a controlar os sintomas pós-prandiais e evitar e/ou minimizar a perda de peso”.
Prevenção
Conforme Bruna, a melhor estratégia para prevenir o câncer de estômago é manter uma alimentação variada e equilibrada em quantidade e qualidade. “A alta ingestão de frutas frescas, hortaliças, e alimentos fontes de licopeno, vitamina C e selênio reduzem o risco de desenvolvimento da neoplasia. Já o consumo elevado de nitratos e nitritos encontrados nas carnes processadas e sal, estão associados com o aumento do risco para o desenvolvimento do câncer de estômago”, relaciona a nutricionista. O consumo de carnes processadas, juntamente com as carnes vermelhas, não deve passar de 500 gramas por semana. As orientações, porém, são sempre individualizadas, levando-se em consideração as intolerâncias e preferências alimentares, os sinais e sintomas e a condição socioeconômica de cada paciente.