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Saúde

Fibromialgia: diagnóstico diferencial é a base para retomar a qualidade de vida

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Fisioterapeuta e coordenador da Secretaria de Saúde, Rafael Ayub
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Esta semana foi marcada por um alerta especial para chamar a atenção da sociedade para uma condição que afeta diretamente a qualidade de vida: a fibromialgia. Ontem (12), foi o Dia Municipal de Conscientização sobre a síndrome e o Bom Dia conversou com o fisioterapeuta e coordenador da Secretaria de Saúde de Erechim, Rafael Ayub. A entrevista completa você confere na noite de hoje, às 19h, na página do Jornal e TV Bom Dia, no Facebook. Confira os principais momentos da conversa:

Sobre a fibromialgia

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a fibromialgia é uma condição marcada por dores crônicas pelo corpo (nem sempre podendo ser definidas pelo paciente se é nos músculos ou nas articulações) e também cansaço crônico, déficits de memória e atenção, ansiedade, depressão, entre outros sintomas. Por isso, é um problema de difícil diagnóstico, podendo ser confundido com outras patologias. “Atualmente, a estimativa é que 10% da população mundial sofra com a fibromialgia e vale ressaltar que existem maneiras de se fazer o diagnóstico diferencial. Antigamente, a fibromialgia era identificada por meio de pontos dolorosos. Como ninguém sabe a causa da fibromialgia, o paciente deve buscar mais informações e orientações com um profissional adequado, o que influencia significativamente no bem-estar. Muitas vezes é feita a automedicação, na ideia de que as dores vão passar e na verdade pode até agravar o quadro”, explica Rafael, ao mencionar que outro sinal que pode estar associado à fibromialgia é o sono não reparador, quando dorme e não descansa; além de lapsos de memória.

A síndrome afeta, principalmente, as mulheres, de 30 a 50 anos. Por isso, a atenção aos sintomas é decisiva, assim como a procura pelo especialista. Em Erechim, a rede básica de saúde dispõe dos serviços do médico reumatologista, profissional ainda mais habilitado para atender os casos de dor, junto a outros especialistas.

Tratamentos

Em meio às opções de tratamento e acompanhamento dos pacientes, a fisioterapia é uma das aliadas essenciais. “Como associamos com frequência o surgimento da síndrome a um trauma psicológico, ansiedade ou alto nível de stress, é importante que o paciente seja avaliado por uma equipe multidisciplinar. Com isso destacamos a importância de atividades físicas regulares, sono e alimentação adequados, entre outros fatores. A Fisioterapia, em específico, trata muito bem as questões relacionadas à dor, com diminuição do desconforto e reposição do movimento, seja pela acupuntura, uso de equipamentos, alongamentos, atividades que tratem a estrutura muscular, incluindo o equilíbrio e organização”, destaca o fisioterapeuta. 

Mais empatia

O estigma de muitos pacientes é o sofrimento por uma “discriminação social”. Como a fibromialgia não gera sintomas aparentes, algumas pessoas quando se deparam com um paciente, questionam sobre a veracidade ou consideram que pode ser um transtorno psicológico. “As vezes ele até precisa de acompanhamento com um psicólogo ou psiquiatra, em razão do quadro de stress, contudo, é necessário mais empatia por parte da sociedade. Imagina uma pessoa há vários dias com dores, não consegue dormir, como irá trabalhar de forma adequada? Por isso, é imprescindível discutir sobre o tema e mais respeito”, enfatiza o coordenador de saúde.

De acordo com Rafael, a Secretaria de Saúde de Erechim tem no máximo 10 pessoas cadastradas com o diagnóstico de fibromialgia, porém, certamente o universo de pacientes seja maior. “É importante que haja uma atenção contínua a esses pacientes para que eles consigam ter a rotina mais normal possível, convivendo com essa doença”.

Atendimento preferencial

Considerando os múltiplos desafios enfrentados pelos pacientes com fibromialgia, a Prefeitura de Erechim implementa um sistema de atendimento preferencial em estabelecimentos comerciais, de serviços, entre outros, tanto em locais públicos ou privados. “Trata-se de uma Lei Municipal que está em vigor desde 2019. Hoje, para ter acesso à essa carteira de paciente portador de fibromialgia, o munícipe deve comparecer na Secretaria de Saúde com a carteira de identidade, o cartão SUS, um comprovante de residência e um atestado de médico concedido pelo reumatologista (via SUS ou obtido pelo sistema particular)”, pontua Rafael, ao fazer uma ressalva: não há preferência no atendimento médico, sendo que os critérios são de urgência e emergência para fazer acesso ao serviço especializado.

A carteirinha tem a validade de dois anos.

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