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Região

Faxinalzinho: possível produzir alimentos e cultivar água

Existem várias técnicas para preservar esse bem tão necessário à vida que auxiliam também na produtividade agrícola

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Divulgação/PM Faxinalzinho
Por Da Redação [email protected]
Foto Divulgação / Prefeitura de Faxinalzinho

As chuvas desta semana amenizam a situação dramática que o setor agrícola vive desde o ano passado com prejuízos que chegam a bilhões de reais. A falta de água está no centro dessa problemática, que gerou a destruição de lavouras de milho, inicialmente, e se estende para as culturas da soja, hortifrútis, frutas, e no auge da escassez para o consumo humano e animal, comprometendo a vida de milhares de famílias no Alto Uruguai.

Preservação ambiental

Ante esse cenário, se faz urgente implantação de políticas públicas municipais que visem a preservação ambiental envolvendo a mata ciliar, nascentes, fontes, banhados, toda a vegetação que capta água, assim como efetiva participação do produtor rural com aplicação das técnicas de plantio que conservem o solo, mas também quem sabe, um novo modelo de produção de alimento, mais sustentável, que coloque a preservação dos recursos naturais no centro desse sistema. É o que se irá abordar a seguir.

Constatar a situação

Uma dessas iniciativas de preservação dos recursos naturais vem de Faxinalzinho. Segundo o chefe do escritório municipal da Emater, Douglas Dal Piva, há três anos que o município vem sendo castigado por estiagens, e os produtores começaram a procurar a Emater para fazer levantamento das propriedades que tinham problemas com falta de água, fontes e nascentes desprotegidas, para saber como preservar e recuperar esses locais.

Volume de água

Ele explica que o técnico vai até o local averiguar como está a nascente e se tem viabilidade, se houver pouco volume de água se recomenda a recuperação da mata ao redor. “A nascente que é possível fazer a recuperação, para que se tenha água de qualidade para as famílias, o primeiro passo é evitar ao máximo danos ambientais, e, por isso, quanto mais manual o trabalho e menos degradante for a ação no meio ambiente, melhor. A gente preza por isso. Então, que não se use máquinas, não arranque árvores, que se mexa o mínimo possível no ecossistema”, explica.

Proteger a nascente

Conforme Douglas, depois de encontrar a nascente e fazer a limpeza manual, se for uma área aberta pode ser realizada com máquinas, mas sem gerar danos ao ambiente, é feito o trabalho de proteção e contenção. “Que é feito com pedras, se coloca britas no fundo, faz a contenção com tijolos, um cano embaixo para fazer a limpeza, outro cano de saída que vai para a caixa de água”, relata.

E, acrescenta, “é importante armazenar a água na caixa com boia e não na fonte, porque depois de cheia a caixa, a fonte transborda por um cano ladrão, não interrompendo o curso normal da nascente”, afirma.  

Fontes comunitárias

Conforme Douglas, esse trabalho de preservação das nascentes já vem sendo feito há bastante tempo, mas se intensificou nos últimos três anos. “Já temos cerca de 20 fontes protegidas no interior. E nos últimos anos foram feitas três fontes comunitárias, já que os poços artesianos dessas localidades não estavam suprindo a necessidade”, disse.

Possíveis nascentes

Ele explica que a prefeitura procurou a Emater para averiguar as possíveis nascentes, que se confirmaram muito boas e, hoje, estão protegidas e produzindo água para a comunidade. “Essa água é armazenada em caixas e distribuídas para cerca de 50 famílias na comunidade Votouro. Na comunidade do Rincão dos Menezes também foram preservadas duas fontes, que vai atender a demanda de mais de 11 famílias numa e duas noutra”, afirma.

Água própria

Ele conta o exemplo do produtor, Deusdet Bonetti, que tem uma propriedade de 8 hectares voltada à produção de leite, queijo, e há 18 anos utilizava e dependia da água do vizinho, já que ele tinha uma nascente, mas não era protegida e adaptada para captar água.

Ele procurou a Emater para saber como fazer para usar a nascente, e foi orientado com o método mais adequado para a situação, e assim, a obra foi executada na propriedade dele. “Agora ele pode dormir sossegado porque a nascente dele está protegida, ainda falta plantar as árvores, mas mesmo assim, ele armazena essa água na caixa e consegue fazer a dessedentação dos animais e além disso, usar para consumo dele e da esposa”, explica.

Satisfação

“Esse é um trabalho que estamos fazendo é bem gratificante com a Emater e a Secretaria de Agricultura, e cada vez mais surge essa demanda, a preocupação dos agricultores em preservar e proteger essas nascentes”, afirma Douglas.

Solo como captador de água          

Outras técnicas importantes para reter e armazenar água estão diretamente relacionadas ao cuidado com o solo, e as técnicas de plantio, é o que explica engenheiro agrônomo, Cezar da Rosa, assistente técnico regional de Recursos Naturais da Emater/Ascar.

Ele observa que a conservação e manejo do solo estão ligados à preservação da água. “É preciso fazer o bom manejo do solo para que se consiga fazer com que toda a água que cai na sua superfície seja infiltrada e não escorra direto indo para os rios”, afirma.

Rotação de culturas

E acrescenta, “para que isso aconteça é preciso ter rotação de culturas, o produtor deve rotacionar, dividir a propriedade em glebas, e deverá cultivar plantas leguminosas como soja e gramíneas, como milho, trigo, sorgo, porque elas têm sistemas radiculares diferentes, mais agressivos no perfil do solo, indo mais para baixo, que abrem galerias no solo, fazendo com que a agua da chuva tenha condições de infiltrar”.

Terraços 

Além disso, observa Cezar, é importante trabalhar com as obras mecânicas, os terraceamentos agrícolas, que tem a função de acumular água no terraço fazendo com que ela infiltre lentamente no perfil do solo. “Ou seja, não se está perdendo essa água”, disse.   

Plantio em nível 

“O plantio em nível também é considerado um miniterraço, isto é, o rasgo que a plantadeira faz na superfície do solo possibilita que a água infiltre melhor”, comenta.

Cobertura

O engenheiro agrônomo ressalta que o produtor deve ter em mente que para o bom manejo do solo, após colher, é necessário, imediatamente plantar outra cultura. “Não deixar o solo descoberto, aumentando a quantidade de palha, a cobertura, que será degradada pelos micro-organismos aumentando o teor de matéria orgânica”, destaca. 

Resultados

“O solo bem manejado vai proporcionar mais condições para a água infiltrar, levando de 3, 4, 5 meses para ela chegar na calha do rio, diferente do solo que não é bem cuidado, quando a água bate ela escorre levando adubo, sementes, matéria orgânica e o próprio solo, e em poucos minutos essa mesma água chega no rio. O melhor é que ela infiltre e vá descendo lentamente nas camadas do perfil do solo”, observa.

Banhados

Além disso, é necessário preservar os banhados que irão ajudar num contexto de seca, assim como a mata ciliar. Por fim, salienta, Cezar a Emater vem incentivando os produtores a manter os olhos d´água, a exemplo do que foi relatado no início da matéria, e assim manter de 5 a 10 metros de matas ao redor dessas nascentes.

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