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“Quando saiu a notícia da vacinação, as pessoas gritavam dentro dos apartamentos”

Morando em Londres há dois meses, a erechinense Mariana Baciquetto, de 23 anos, faz relato sobre o início da imunização contra a Covid-19 no país

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Mariana Baciquetto: “A situação do Brasil ainda me preocupa, principalmente por conta da minha famíl
Com uma camiseta azul de Natal, com estampa de pinguim, Margaret Keenan, de 90 anos, entrou para a h
Por O Nacional/Passo Fundo
Foto Divulgação

Com uma camiseta azul de Natal, com estampa de pinguim, Margaret Keenan, de 90 anos, entrou para a história. Em 08 de dezembro ela foi a primeira pessoa no mundo a receber a vacina Pfizer/BioNTech fora dos testes clínicos, inaugurando a vacinação em massa no Reino Unido, o país europeu mais afetado pela pandemia. A prioridade no país é a vacinação de pessoas com mais de 80 anos, funcionários de casas de repouso e profissionais da área de saúde.

Momento histórico

Quando se mudou para Londres em outubro deste ano, a moradora de Erechim Mariana Baciquetto, de 23 anos, não sabia que ficaria tão perto de um momento histórico. A estudante de jornalismo adiantou os planos de viagem devido ao Brexit. “Como tenho cidadania italiana, foi necessário que me mudasse antes de 31 de dezembro deste ano, para que eu pudesse continuar no país”, explicou.

Começo da vacinação

Depois dessa data, brasileiros não serão mais aceitos como Au Pairs, programa que permite intercâmbio cultural em troca de ajuda com o cuidado de crianças. A partir do final do ano ela começará a cuidar de duas crianças e em 2022 irá ingressar em um mestrado no país. Confira o relato da vivência de Mariana em Londres durante a pandemia e o começo da vacinação. Num relato exclusivo ao ON, Mariana conta a emoção dos londrinos com a chegada da vacina. Acompanhe o relato da brasileira, que está na lista de espera para ser imunizada. 

Os primeiros dias 

“Chegando em Londres, precisei ficar duas semanas de quarentena e se eu sentisse algum sintoma do Covid-19, era para ligar primeiramente para o governo. Após essas duas semanas, eu pude sair e conhecer a cidade normalmente, porém com muitas regras, já que estávamos no Tier 2 (“faixa” 2). Aqui existe o “rule of six” (regra de seis) em que você não pode se encontrar com mais de seis pessoas, mesmo em local aberto. Em local fechado, você pode apenas ver pessoas que moram na mesma casa ou que fazem parte da sua “Support Bubble” (bolha de suporte), uma rede que conecta duas famílias, ou alguém para ajudar quando necessário”.

Um novo lockdown

“Normalmente nós nos reuníamos para fazer piqueniques em parques ou ir a pubs ao ar livre. Por conta do Halloween e festas clandestinas, em novembro tivemos que lidar com outro lockdown, ou seja, não era permitido sair de casa, apenas para o necessário: exercícios físicos, mercado e farmácias. Isso acabou em 2 de dezembro e fez com que os casos diminuíssem bastante. Agora, as regras são as mesmas do Tier 2”.

 Selfies em frente ao hospital 

“A notícia de que a vacinação iria começar foi gigante, quando saiu pela primeira vez, eu pude ouvir algumas pessoas gritando de dentro de suas casas. E quando finalmente pudemos sair de casa e passei caminhando em frente ao hospital, muitas pessoas paravam para tirar fotos (principalmente selfies) e eu ouvia elas comentando que a vacina estava lá esperando para ser usada. Foi realmente um clima de comemoração”.

“Choramos juntas”

“Na terça-feira (08), por ser o primeiro dia de vacinação, o clima estava igual. As redes sociais cheias de imagens da primeira pessoa a receber a vacina e seu depoimento. O vídeo dela passeando pelos corredores do hospital e sendo aplaudida é muito emocionante e fez com que eu e minha colega de apartamento chorássemos juntas (minha colega de apartamento é indiana) ”.

Emoção geral

“Quando o Primeiro-ministro Boris Johnson tweetou sobre a vacina, mesmo muitos ingleses não gostando dele, foi uma emoção geral e, novamente, eu pude ouvir o grupo que mora no apartamento ao lado comemorando e fazendo brincadeiras sobre finalmente poder sair e aproveitar a vida londrina”.

“A situação do Brasil ainda me preocupa”

“Todos que vivem legalmente na Inglaterra, têm direito a consultas, cirurgias, atendimentos, tratamentos e, em alguns casos, até medicamentos gratuitos. Chega a dar orgulho de morar em um país em que a saúde pública é tão valorizada, principalmente por todos os problemas que estamos tendo esse ano. Saber que é o primeiro local da vacina da covid também me deixa muito feliz, principalmente por ela ter 95% de eficácia, não existem nem palavras para expressar o quanto eu estou animada e feliz. Porém, saber a situação do Brasil ainda me preocupa, principalmente por conta da minha família. 

Na fila para ser imunizada 

“Eu sinto que a população aqui está completamente animada, mesmo sabendo que vai demorar um pouco para que todos estejam vacinados e longe do perigo. Eu consigo ver e ouvir muitos ingleses criando planos para o ano que vem, principalmente pessoas mais jovens que estão ansiosas para que os shows e musicais voltem a ocorrer. Londres é uma cidade cheia de cultura e saber que as coisas vão poder abrir “logo” faz com que a gente possa ver uma luz no final do túnel” 

A vacinação não é obrigatória

“Existem sim algumas pessoas comentando que não se sentem seguras em tomar a vacina, já que ela foi feita “muito rápido”. É importante ressaltar que a vacinação não é obrigatória aqui no país, mas a maioria está mais ansiosa do que qualquer coisa. É bem difícil encontrar alguém comentando que não sente segurança”.

Uma das primeiras a receber

“Por enquanto, eu estou fora do público alvo para conseguir receber a vacina, o que eu acho completamente certo. Mas eu vou ser uma das primeiras a receber após isso, já que eu sou inclusa no “caretaker” (cuidadora), por cuidar de duas crianças e a minha host mom (mãe anfitriã) ser professora.

 

Fonte: O Nacional/Passo Fundo

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