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Segunda semana de greve inicia com problemas de abastecimento em Erechim

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Por Antonio Grzybowski, Edson Castro e Najaska Martins
Foto Jornal Bom Dia

A segunda semana de greve dos caminhoneiros iniciou sem combustível nos postos e com falta de alguns produtos nos supermercados de Erechim. As bombas permanecem sem gasolina e etanol, enquanto que o óleo diesel é cada vez mais escasso. Na maioria dos supermercados e açougues os estoques de carne bovina, de frango e resfriados, encerraram ainda no fim de semana. A opção é buscar produtos congelados, que ainda estão sendo ofertados aos consumidores. Nos setores de frutas e hortaliças, falta mamão, cenoura, batata e nos próximos dias deve terminar a cebola.
A Rede Master de Supermercados informou que a disponibilidade de produtos de hortifrutigranjeiros começa a ser afetada. Produtos da Ceasa já estão em falta, entre eles banana e batata branca. A rede informou ainda que as hortaliças e frutas que são entregues por produtores da região não sofreram desabastecimento. Carnes resfriadas também já estão em falta, enquanto que congeladas ainda são disponibilizadas devido a um estoque maior.
No Supermercado Querência, integrante da Rede União, a falta de produtos atinge especialmente hortifrutigranjeiros que vêm de outras regiões, assim como nos demais mercados da rede. Batata, cebola e tomate estão entre os itens em falta. O mercado conseguiu receber ontem uma carga de carne resfriada, o que amenizou os efeitos provocados pela paralisação dos caminhoneiros. 
As redes Master e União alertam que o panorama pode mudar de acordo com o andamento da greve. De acordo com Mário Rossi, gerente do Supermercado Caitá, o consumidor deve agir com cautela, pois há estoque suficiente para atender a demanda do público nos próximos dias nos setores de enlatados, grãos, massas, laticínios, bebidas e produtos de limpeza.

Alimentação 

Estabelecimentos voltados à alimentação também já sentem os reflexos da greve, especialmente pelos atrasos nos recebimentos de produtos como carnes, peixes e gás. Em um restaurante, conforme o proprietário, Loredan Giacomel, o atendimento está sendo mantido com adaptações. "Estamos improvisando e fazendo compras nos mercados, já que o fornecimento de itens como peixes e carnes está atrasado. Se continuar desta forma teremos que trabalhar com substituições. Além disso, outra questão é o preço, pois os produtos nos supermercados estão com valores mais altos do que o habitual e talvez esse valor precise ser repassado ao cliente do restaurante", explica.
Em outro estabelecimento, segundo o proprietário, Carlinhos Pedro Plucinski, a manutenção das atividades só está sendo possível devido ao estoque. "Ainda temos produtos porque tínhamos estocado uma quantidade significativa, mas ainda assim já sentimos falta de alguns itens que tivemos que buscar nos supermercados. No momento o problema maior está na questão do gás a granel, que não está sendo entregue e já tivemos falta. Precisamos fazer adaptações", completou.

Medicamentos

No setor de farmácias já está faltando medicamentos e produtos de perfumaria. De acordo com o empresário José Antonio Mottin, proprietário de uma rede com três lojas, a empresa não recebe mercadorias desde quarta-feira da semana passada. Os pedidos já faturados pelos centros de distribuição localizados em Santa Cruz do Sul e Cachoeirinha, estão retidos em caminhões. Em outra rede com dez lojas a situação é mais tranquila. Segundo a supervisora administrativa Iliane Oldoni, o estoque central poderá atender o abastecimento por pelo menos 30 dias.
Saúde
Na área da saúde o impacto da greve resultou na suspensão das cirurgias eletivas do Hospital Santa Terezinha, sendo que serão realizados somente procedimentos de urgência e emergência.  Os exames laboratoriais nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) seguem suspensos conforme já havia sido anunciado na última sexta-feira.  "Tais medidas serão monitoradas pelas equipes de forma permanente, até que possamos restabelecer o nosso estoque e assim retomarmos o agendamento dos procedimentos cancelados", destaca nota da Fundação Hospitalar Santa Terezinha (FHSTE).
Já o Hospital de Caridade segue com a suspensão dos atendimentos para pacientes externos no Laboratório de Análises Clínicas, devido ao fim do estoque de materiais. Do mesmo modo, o HC não descarta, caso haja necessidade, o reagendamento das cirurgias eletivas.

Educação

A educação pública e particular de Erechim já sente reflexos da paralisação dos caminhoneiros. Na segunda-feira (28), diversas instituições de diferentes etapas do ensino cancelaram as aulas, a exemplo das escolas da rede estadual, que suspenderam atividades ontem, mas retomam normalmente nesta terça-feira (29). A decisão foi comunicada em nota divulgada no site da Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
Em algumas instituições de ensino superior o cancelamento das atividades deve se estender nos próximos dias. Entre as universidades que já haviam cancelado atividades letivas na segunda-feira e devem continuar sem aulas estão a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), o Instituto Federal do RS (IFRS), a Universidade Estadual do RS (Uergs) e Faculdade Anglicana de Erechim (FAE). Já a URI decidiu cancelar as aulas, por enquanto, nesta terça-feira (29), para os cursos da graduação. 
A suspensão das atividades não afetou, porém, todas as redes. Nas escolas municipais, conforme a secretária de Educação, Vanir Bombardelli, as aulas serão mantidas normalmente até a quarta-feira (30). "Temos a garantia por parte dos proprietários das vans que garantem o serviço", pontuou, por meio de nota. O decreto de calamidade pública por parte do município de Erechim, no entanto, pode mudar este cenário.
Quanto às escolas da rede privada, na maioria as aulas seguem normalmente, a exemplo do Colégio Franciscano São José, do Colégio Marista Medianeira, da Escola de Educação Básica da URI, Escola Adventista e do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco. Este último informou apenas a suspensão das atividades para os cursos técnicos e Centro de Idiomas. 

Transporte urbano e intermunicipal

No transporte coletivo urbano, as linhas de ônibus seguem circulando até quarta-feira (30) com horários reduzidos. A informação foi confirmada pela Empresa de Transportes Gaurama, que destacou que será feito horário idêntico ao da última sexta-feira, quando as linhas foram suspensas após às 19h15.
Da mesma forma, na rodoviária intermunicipal de Erechim os horários de ônibus seguem reduzidos. O gerente do local, Adilo Adami, explicou que na segunda-feira o movimento teve uma redução de 50%, sendo que a suspensão ou diminuição de linhas parte da adequação das empresas que fazem os transportes. 

Nova carreata

O movimento dos caminhoneiros realizou mais uma carreata no centro de Erechim. Por volta das 15h, motoristas, agricultores, motociclistas, transportadores escolares e populares se encontraram na altura da Praça Júlio de Castilhos e "desceram a avenida" com palavras de ordem e cartazes pedindo combustíveis mais baratos e fim da corrupção.
Entre os manifestantes estava o caminhoneiro Cosme Bernieri, que há 42 atua na profissão. Natural de Ipiranga do Sul, mas morando em Erechim há 18 anos, ele conta que está parado há 30 dias e que as dificuldades dos caminhoneiros estão no baixo valor do frete e no alto custo do combustível. "Já fui empregado e vivia melhor. Hoje tenho meu próprio caminhão e recebo ajuda da minha esposa para garantir o sustento da família", lamentou.
Governo acredita no fim da greve, caminhoneiros não
No domingo à noite o presidente Michel Temer, anunciou decidiu congelar por 60 dias a redução do preço do diesel na bomba em R$ 0,46 por litro. Isso equivale, segundo o presidente, a zerar as alíquotas da Cide e do PIS/Cofins. Os representantes dos caminhoneiros autônomos não aceitaram o congelamento do diesel por apenas 30 dias, como havia sido inicialmente proposto. O governo federal concordou ainda em eliminar a cobrança do pedágio dos eixos suspensos dos caminhões em todo o país, além de estabelecer um valor mínimo para o frete rodoviário. 
No fim da noite, em edição extra do Diário Oficial da União, o governo publicou as três medidas provisórias (MPs) para atender a novos pedidos dos caminhoneiros e aguardava pelo fim do movimento grevista. Porém, a segunda-feira iniciou com caminhões parados e pontos de mobilização espalhados pelo Brasil. 
Na região há bloqueios em Severiano de Almeida, Erechim, Coxilha e Passo Fundo. Os líderes locais do movimento voltaram a afirmar que as medidas anunciadas na noite de domingo foram acertadas com "pessoas que não representam" os grevistas e que o governo precisa avançar no desconto do óleo diesel e gasolina, reduzir os preços dos alimentos e eliminar a corrupção.
O presidente da Associação Brasileira doas Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, disse que entre 70% e 80% dos caminhoneiros que participavam das manifestações nas rodovias do país já "levantaram acampamento" nos pontos de obstrução. A expectativa é de que a desmobilização seja concretizada até o final desta terça-feira (29). 

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