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Blog do Dad Squarisi

Dad Squarisi

É festa, senhores

Por Dad Squarisi

Recado

“Eu elogio em voz alta e censuro em voz baixa.”

Catarina da Rússia

Oba! Junho é mês de muitos santos. Santo Antônio, São João e São Pedro recebem homenagens e ganham festas. A mais legal é a de são-joão. Adultos e crianças se vestem de caipira e caem na farra: dançam a quadrilha, pulam a fogueira, participam do casamento na roça, pescam surpresas, comem delícias. Ali, a gula não é pecado.

Ninguém precisa resistir à tentação de canjicas, pipocas, churrasquinhos, paçocas, pamonhas, cachorros-quentes, pés de moleque & cia. prazerosa. Na faceirice geral, uma restrição se impõe. Trata-se de respeitar a grafia nota 10. O nome do santo é substantivo próprio. Escreve-se São João. O da festa é substantivo comum. Escreve-se são-joão.  

 Analogia

As festas juninas são tão boas que avançam no mês de julho. Aí ganham outro nome. São julinas.

 Pé de moleque

O que é presença obrigatória na festa junina? Muitas coisas. A mais importante: pé de moleque. Olho vivo! A reforma ortográfica cassou o hífen do docinho gostoso. Ele nem ligou. Livre e solto, continua reinando Brasil afora.  

Companhia

A reforma ortográfica eliminou o tracinho dos compostos em geral por três ou mais palavras que, soltas, nada têm a ver uma com as outras. Mas, juntas, formam outro vocábulo. É o caso de pé de moleque. designa parte do corpo. Moleque, menino sapeca. A preposição de os junta. O trio dá nome ao doce que deixa pra lá o pecado da gula.

Exemplos não faltam. Eis alguns: mão de obra, dia a dia, dor de cotovelo, folha de flandres, testa de ferro, leão de chácara, faz de conta, quarto e sala, mula sem cabeça, tomara que caia.

Sem vacilos

A reforma não atingiu todas as palavras assim compostas. As que designam bicho ou planta conservam o tracinho. Mantêm-se como dantes no quartel de Abrantes: cana-de-açúcar, ipê-do-cerrado, pimenta-do-reino, castanha-do-pará, joão-de-barro, bem-te-vi, bem-me-quer, porco-da-índia, canário-da-terra. E por aí vai.

 Plural

O plural de pé de moleque? É pés de moleque.

 Arraial

Festas juninas são as comemorações mais animadas do Nordeste. Campina Grande, Caruaru e tantas outras cidades passam o ano inteiro organizando os festejos. No vaivém, uma palavra ganha destaque. É arraial.   Você sabe de onde veio a criatura tão animada?

Se você adivinhar, ganha um saco de pipoca. Levará pra casa umas branquinhas saltitantes, quentinhas e cheirosas. Quer saborear a delícia? Então marque a resposta certa:

1.   Arraial veio de rei.

2.   Arraial veio de areia.

3.   Arraial veio de arraia.

4.   Arraial veio de raio.

E daí?

Marcou a letra a? Acertou. Arraial é meio camaleão. Às vezes quer dizer acampamento militar. Outras, lugar de festas populares. Outras, ainda, um pequenino lugar do interior, um lugarejo.

Antes de chegar à forma de agora, arraial teve outras caras. Uma delas é arreal. Ficou fácil, não? Tudo indica que arraial veio de real. Real vem de rei. No começo, arraial era o acampamento do rei. É, pois, coisa de Sua Majestade.

Leitor pergunta

Tenho dúvidas sobre a conjugação do verbo reaver. Pode me ajudar?

Clarice Souza, Porto Alegre

Louco pelos prazeres da carne, o verbo haver é do tempo em que não havia camisinha nem pílula anticoncepcional. Resultado: teve filhos. Um deles é reaver. O garoto quer dizer haver de novo (recuperar). Muitos lhe confundem a paternidade. Escrevem reavejo, reaviu como se o verbo fosse derivado de ver. Bobeiam. Ele só se conjuga nas formas em que aparece o v do paizão: houve (reouve), haveria (reaveria), haverão (reaverão).

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