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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

O ciclo das águas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Na vida, costumeiramente atribuímos o adjetivo moleza para as coisas que são fáceis, que não provocam resistência. Chega a soar pejorativo, dizer que algo foi moleza. Na outra ponta, o adjetivo dureza, já nasce com ar de reclamação. Dureza é algo que parecer ser mais difícil do que deveria, do que esperávamos. Além de serem antônimos, dureza e moleza são distantes entre si. É como se entre esses dois estados da natureza houvesse um enorme vácuo.

Água mole em pedra dura

Esse é um velho ditado. Um ditado de persistência. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E para tudo na vida tem a moleza e a dureza. Até mesmo com a água, temos a mole e temos a dura. Esta, por exemplo, é aquela que possui muitos elementos metálicos dissolvidos nela, como carbonatos, sulfatos, cálcio e magnésio. Mas a quem interessa a água ser mole ou dura? Aos químicos, aos cervejeiros, mas não vou falar disso. Vou falar do ciclo das águas, do ciclo da vida, como bem escreveu Moacyr Scliar em “O ciclo das águas”. Eis uma boa dica de leitura.

O ciclo das águas

Na natureza, o ciclo das águas guarda muita semelhança com o ciclo de nossas vidas. Ou seria o contrário? Tanto faz. A água, que renasce da chuva, que penetra o solo, que se purifica na terra e que retorna nos leitos dos rios, corre em seu caminho, em seu propósito, até que chegue ao seu destino. Quando não serve de alimento, ou matéria-prima, fica na natureza e evapora. Viaja aos céus, é levada pelos ventos, até que encontra uma temperatura fria, se condensa e cai, sabe-se lá onde. E na vida, as coisas costumam imitar a natureza. A gente nasce, cresce, amadurece, envelhece e morre, muito parecido com o ciclo das águas. Depois que evaporamos, não sabemos para onde vamos. Há também, quem acredita que jamais precipitaremos novamente, invalidando esse ciclo que é natural, mas esta é outra discussão filosófica e religiosa.

A nossa água

Seguindo então, essa ideia de que somos parecidos com as águas, que tipo de água queremos ser nesta vida? Água mole ou água dura? Em nossa solução de vida, que cargas arrastaremos para o céu quando evaporarmos? Teremos leveza o suficiente para subir? Essas são as dúvidas da vida. Normais de qualquer ser humano pensante. O fato é que, desconsiderando os adjetivos “mole” e “duro”, temos nosso livre arbítrio. Essa faculdade que nos permite escolher quem queremos ser. E a cada dia de nossas vidas, ganhamos vinte e quatro horas para endurecer ou amolecer. Simples assim. Amargurar a vida ou processá-la, engolindo sapos e buscando o equilíbrio. Tudo é questão de escolha.

A dureza da alma

Por essas e outras, percebemos que, na medida em que vamos envelhecendo, o corpo vai amolecendo, literalmente. A alma, ao contrário, muitas vezes endurece. Isso sim é triste. Uma alma que endurece, que enrijece, que fica densa, tende a sofrer muito mais na hora de “evaporar”. E o resultado disso tudo é o sofrimento. Por essas razões, bom mesmo é observar a natureza e harmonizar. Amolecer o corpo e a alma, fluidificar. Usar a experiência para superar os obstáculos, as durezas da vida. Deixemos o sofrimento para pedra. Ela sim, não sai do lugar, não evolui, só envelhece. Pensando bem, bom mesmo é ser água mole. Na pior das hipóteses, serviremos para nutrir raízes, florescer plantas, frutificar. Bendita seja a água!

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