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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

O aborto e a tatuagem da Anita

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Resisti. Confesso que resisti imensamente a escrever sobre este tema. Dificilmente um assunto seja tão delicado como esse do aborto. Mas como um dos propósitos da minha escrita é provocar reflexão, decidi explorar este assunto, de leve. Sei que há viezes variados neste tema: religiosidade, tabu, espiritualidade, cultura, dogmas e a questão da saúde. E é nesta seara que pretendo me ater, da saúde, da vida.

Reportagem de capa

A revista Veja, na sua edição de 18 de maio trouxe este assunto estampado na capa: Precisamos falar sobre aborto. E assim o fez, também sob o viés da saúde. Porém, acabei envolvido com o assunto e me vi discordando singelamente do editorial da revista. Por mais que possa parecer contraditório, chega um momento em que não conseguimos falar de saúde sem adentrar em searas importantes, como a cultura e espiritualidade. Seria banalizar algo que é complexo e requer análise ampla.

Taxa de mortalidade

De acordo com a publicação, nos países onde o aborto é legalizado, morre uma gestante a cada 100.000 interrupções de gravidez. Os estudos citados na revista, por outro lado, dizem que nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a taxa de mortalidade é de 40 para cada 100 mil práticas de aborto. Desses dados, podemos inferir algumas hipóteses. A primeira delas, é que mesmo o aborto sendo proibido em determinadas nações, o governo controla as estatísticas. Logo, a proibição não inibe o ato. Outra inferência, mais conclusiva, é de que seria justificável legalizar o aborto para que menos mulheres morressem em razão desta prática. Porém, o que a reportagem não fala, é que a razão “mortalidade x procedimento” esquece simplesmente que não há aborto sem morte. Teria o Estado o condão de não mais proteger o nascituro? Qual o critério? Se for assim, as mães também poderão optar por não fazer os exames de pré-natal?

Descaminho

E dessa derivação, fico fantasiando que este argumento de salvar 39 vidas, sem se importar com as 100 mil que morrem em decorrência da natureza do procedimento me acende uma provocante questão: seria este um novo segmento da medicina moderna a ser implantado em países em desenvolvimento? E a cultura? E a espiritualidade? Que peso teriam nesse contexto? A matemática não permite a mentira. Se dividirmos essas 39 vidas supostamente preservadas pelas 100.000 abortadas, teremos a razão de 0,039%. E estaremos dispostos a matar 100.000 vidas para salvar 39. Essa é a lógica. Talvez se a cantora Anita não tivesse tatuado o próprio ânus, escrevendo Love, pudéssemos evoluir um pouco mais culturalmente. Estamos em decadência. Quantas vidas seriam protegidas se tivéssemos mais cultura? Sinceramente, neste viés, me preocupa mais a cultura do que a medicina. Tratar este assunto de trás para frente só dá razão para cantora Anita e para quem a segue. Quanto paradoxo! A vida parece não valer mais nada.
 

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