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Blog do Coluna do Leitor

A importância da História Oral

Por Coluna do Leitor

Por Henrique Antônio Trizoto - Doutorando em História UPF

Coord. AHM Juarez Miguel Illa Font 

A constituição do acervo do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font começou com o recolhimento de documentos oriundos da Prefeitura Municipal de Erechim (requerimentos, boletins informativos, censos demográficos, anuários estatísticos, atas, autos, mapas, Carta precatória, recibos, ordem de pagamento, guia de aquisição de estampilhos, de aposentadoria dos menores (1956-1957), nota de expediente, relatório tribunal de justiça, protocolo de audiência cíveis, ofícios expedidos, fonogramas, curadoria de acidentes de trabalho, ofícios expedidos, recibos, correspondências e cartas recebidas, documentos da Luce & Rosa) como já vimos anteriormente...

            Na sequência o então funcionário do AHM, professor Enori José Chiapari passou a recolher fotos antigas da cidade por intermédio de doações de munícipes. Nos anos 1990, realizou entrevistas com pioneiros e figuras públicas relevantes no período (professores, agrimensores, políticos, advogados, comerciantes).

            Retomando a ideia que a memória é um fenômeno permanentemente atual, porque “é afetiva e mágica, a memória não se acomoda a detalhes que a confortam: ela se alimenta de lembranças vagas, telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensível a todas as transferências, cenas, censuras ou projeções. A história, porque operação intelectual e laicizante, demanda análise e discursos críticos. A memória instala a lembrança nos agrada, a história a liberta e a torna sempre prosaica [...]” (NORA, 1993, p. 9).

            Nesta linha de raciocínio, Reis (2000, p. 32) aponta que “o presente liga-se ao passado e o passado ao presente de tal forma que o passado se torna presente e o presente imuniza-se contra a sua sorte que é se tornar passado. Essa visão considera que a realidade é social e/ou culturalmente edificada; o que era dado como imutável e estabelecido assume o caráter de “construção cultural”, redefinindo, assim, novas abordagens no campo da História”. Cabe aos Arquivos salvaguardar as memórias de uma comunidade.

            Sob esta perspectiva, a História Oral chegou ao Brasil na década de 1970, quando foi criado o Programa de História Oral do CPDOC e se popularizou nos anos 1990, e esteve “marcadamente envolvida com as questões da memória humana, tanto coletiva quanto individual. E, nesse sentido, passou a ser um relevante meio de valorização das identidades de grupos sem escrita, por meio da coleta de seus depoimentos e da análise de sua memória, de sua versão do mundo e dos acontecimentos” (SILVA; SILVA, 2007, p.01).

            As entrevistas disponíveis no Arquivo Histórico ajudam a remontar/ reconstituir/desvelar elementos acerca da constituição da narrativa histórica referente a fundação da Colônia, da emancipação e principalmente dos usos e costumes que os (i)migrantes tendo em vista que “[...] a história oral pode dar grande contribuição para o resgate da memória nacional, mostrando-se um método bastante promissor para a realização de pesquisa em diferentes áreas. É preciso preservar a memória física e espacial, como também descobrir e valorizar a memória do homem. A memória de um pode ser a memória de muitos, possibilitando a evidência dos fatos coletivos” (THOMPSON, 1992, p ?. 17).

            Neste contexto, reforçamos a ideia que a história oral é uma ferramenta que possibilita abordar elementos cotidianos que normalmente não estão apresentados na historiografia oficial. No caso de uma entrevista cedida a um Arquivo Histórico, ela é acompanhada de um termo de cessão de uso além de passar por uma revisão do entrevistado. Pedagogicamente, ela pode ser utilizada para aproximar as crianças de sua realidade local e dos meandres de sua comunidade ou mesmo dos primórdios de sua genealogia.

Referências

NORA, P. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História. São Paulo: PUC, n. 10, p. 7-28, dez. 1993.

REIS, J. C. Os Annales: a renovação teórico-metodológica e ‘utópica’ da história pela reconstrução do tempo histórico. In: SAVIANI, D. et al. História e história da educação.2 ed. Campinas, SP: Autores Associados HISTEDBR, 2000.

SILVA, Kalina V.; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de Conceitos Históricos, verbete história oral-–Ed. Contexto–São Paulo, 2006.

THOMPSON, P. A voz do passado. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

 

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