14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Blog do Coluna do Leitor

Enori Chiaparini no Porão da Prefeitura coletando os primeiros documentos que compõe o Acervo

Conjecturas sobre Arquivos, Memória e Identidades (II)

Por Coluna do Leitor

Por Henrique Antônio Trizoto - Doutorando em História UPF

Coord. AHM Juarez Miguel Illa Font

         Os Arquivos Históricos muitas vezes são confundidos com os Arquivos Centrais, não raro utiliza-se a expressão “arquivo morto” para designar o acervo permanente. Ao passo que eles passam a ser historicizáveis, pesquisáveis, analisáveis e interpretáveis ou qualquer termo que signifique acessar os documentos, percebemos que o termo “arquivo morto” é errôneo.

Nedel (2013) afirma que “os arquivos transcendem as intenções probatórias ou monumentalizantes de produtores e/ou donatários, e adquirem funções e feições inauditas. Retirados de sua existência ordinária, eles ressurgem em novos contextos como depositários da experiência histórica e das propriedades distintivas de uma coletividade” (NEDEL, 2013, p. 140).

Camargo (2009, p. 28) por sua vez afirma que “os documentos de arquivo não diferem de outros documentos pelo seu aspecto físico ou por ostentarem sinais especiais facilmente reconhecíveis. O que os caracteriza é a função que desempenham no processo de desenvolvimento das atividades de uma pessoa ou um organismo (público ou privado), servindo-lhes também de prova. Instrumentos e produtos das ações de indivíduos e instituições, tais documentos continuam a representá-las mesmo quando as razões e os agentes responsáveis por sua criação se transformam ou deixam de existir.

Nesta mesma linha os autores avigoram que “A complexidade do sentido” do arquivo reforça a importância do seu estudo e de práticas de investigação histórica e documental face à necessidade de produção de conteúdo com base nas informações contidas em seus conjuntos documentais (BARROS; AMÉLIA, 2009, p. 57).

Por fim, sua infinidade de possibilidades por ser: “concebido como locus interativo entre o pesquisador e o objeto, por meio da revisita e da equiparação das teorias existentes, o arquivo possibilita o progresso e a humanização destas teorias e, ao mesmo tempo, o cultivo do pensar crítico e criativo do pesquisador. Servindo-se, assim, do arquivo, o pesquisador constrói a sua própria produção, para responder ao desafio da socialização do conhecimento (BARROS; AMÉLIA, 2009, p. 58).

Apresento para conhecimento dos leitores alguns materiais disponíveis para consulta no Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font.

            Fundos Particulares: Coleção Gardolinski, Müller e Castro e Amaral (em construção).

Fundos Públicos: Documentos oriundos da prefeitura municipal de Erechim (requerimentos, boletins informativos, censos demográficos, anuários estatísticos, atas, autos. Carta precatória, recibos, ordem de pagamento, guia de aquisição de estampilhos de aposentadoria dos menores (1956-1957), nota de expediente, relatório tribunal de justiça, protocolo de audiência cíveis, audiências cíveis, ofícios expedidos, fonogramas, curadoria de acidentes de trabalho, ofícios expedidos, recibos, correspondências e cartas recebidas, documentos da Luce & Rosa).

Fundos Mistos: Fotos antigas da cidade através de doação de munícipes, e dos setores da Administração Pública, Entrevistas com pioneiros e figuras públicas relevantes no período (professores, agrimensores, políticos, advogados, comerciantes). Acervo de periódicos que circularam na cidade (Diário de Notícias, Voz da Serra / Voz Regional / Voz / AVS, Diário da Manhã, Bom Dia, Boa Vista, Atmosfera, a Folha Regional, O Erechim).

            A partir deste breve resumo do acervo do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font percebemos a amplitude das possibilidades de pesquisas. A construção da memória de uma comunidade perpassa pelo conhecimento e interpretação destes processos históricos.

Continua...

 

Referências

BARROS Dirlene Santos; AMÉLIA Dulce. Arquivo e memória: uma relação indissociável. TransInformação, Campinas, 21(1): p. 55-61, jan./abr., 2009.

CAMARGO, Ana Maria de Almeida. Arquivos pessoais são arquivos. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, ano XLV, n. 2, p. 27-39, jul./dez. 2009.

NEDEL, Letícia Borges. Da sala de jantar à sala de consulta: o arquivo pessoal de Getúlio Vargas nos embates da história política recente. In: TRAVANCAS, Isabel; ROUCHOU, Joëlle; HEYMANN, Luciana (org.). Arquivos pessoais: reflexões multidisciplinares e experiências de pesquisa. Rio de Janeiro. Ed. FGV, 2013.

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Aquário
21/01 até 19/02
QUA - Aquário do céu, prepare-se para tirar o...

Ver todos os signos

Publicidade