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Blog do Coluna do Leitor

A Guerra do Brasil

Por Coluna do Leitor

Por Danilo Cenzi Ribeiro - Gradua em História Licenciatura pela UFFS/Erechim 

 

Não me recordo de ouvir tanto a expressão guerra quanto no último ano. Isso é natural, já que vivemos uma guerra aberta por aqui, embora algumas pessoas ainda tenham dificuldade de chamar assim por esse nome. A nossa crise sanitária foi tratada como um conflito armado, mas contra um vírus, e desse jeito faz mais sentido o número de mortos, uma vez que atiramos contra um inimigo microscópico que se aloja nas pessoas. Mas, se desde antes da pandemia era assim, há algo que não “bate”. Observando os números do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), há um crescimento no número de homicídios, ano após ano, de 1979 até 2017, onde os dados “acabam”. Em 2017, por exemplo, 65.602 pessoas foram assassinadas. Bom, é possível que todos pensem que 65 mil é um número baixo, não é? Se só a Covid-19 matou mais de 500 mil pessoas em 1 ano e alguns meses, 65 mil não é possível chamar de guerra. Ou, sim?

Num dos piores anos até agora do conflito armado entre Israel e Palestina, o ano de 2014, 2.251 pessoas foram assassinadas. Aqui no Brasil, em 2014, morreram assassinados 60.474 pessoas e esse nem foi nosso pior ano. Não quero fazer as contas de quantas vezes mais mortos nós temos, mas a pergunta sobre onde está nossa guerra não me foge. Desde os anos 2000 até 2010 nossa média anual de homicídios esteve em 46 mil por ano. E contra quem é essa guerra afinal?

Não são em todos os lugares do país que vemos blindados nas ruas ou helicópteros blindados nos céus, mas eles existem e são usados em nossa guerra. Os locais onde eles circulam e onde voam são bairros e vilas que moram brasileiros, brasileiras, idosos e crianças, jovens... e não alienígenas ou forasteiros imigrantes do outro lado do globo. Não, são nossos vizinhos, somos nós. Os 65 mil inimigos mortos todos os anos são o próprio povo do Brasil, pessoas acusadas de venda de mercadorias ilícitas, fármacos, plantas, armas, cigarros, ou ligadas a quem as comercializa. São assaltantes, trombadinhas, mendigos... enfim, esses são acusados de qualquer coisa e tidos como inimigos de guerra, cuja execução é de preferência sumária. Se nossas prisões estão cheias de gente e temos a terceira maior população carcerária do mundo, essas pessoas não são presas comuns, são prisioneiros de guerra, e as chacinas que ocorrem volta e meia em presídios em todo o território nacional tem, por isso, uma razão de ser, já que é ali que está o “inimigo”.

Aqui, diferente de muitos lugares onde tem ou teve uma guerra, não precisamos de um ser externo, nossa guerra é nacionalizada, a destruição, as mortes, os traumas, tudo é nacionalizado, tudo é genuinamente brasileiro. Somos nós contra nós.

 

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