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Blog do Coluna do Leitor

Pró Sogra

Por Coluna do Leitor

Ernesto Cassol
Prof. na URI/Erechim

O humor frequentemente traduz o mau humor decorrente de impotência e/ou extrema dificuldade política, não mera graça ou sátira como Emílio de Menezes, Marinho Kern, Gladstone O. Mársico... as fábulas de Esopo, Fedro traduzem contexto de arbitrariedade. Quando os homens não podem falar, falam por gestos, por metáforas, por expressões sibilinas, pelo silêncio, pelos animais. Mesmo quem não degustou a Selecta Latina de A. C. Pinto lembra a sentença "monocórdia" de Sua Magestade Leão na quádrupla divisão da caçada: Ego primam partem tollo quia nominor leo, secundam quia sum fortis, tertiam tribuetis mihi. Vae si quis tetigerit quartam. Tradução estropiada: Eu pego o principal pedaço porque me chamo Leão. O 2º pedaço tomo porque sou forte. O 3º me presenteareis. Ai se alguém encostar o dedinho no 4º e o último pedaço" (A propósito, o Apocalipse, de São João é baita metáfora).

Foi prodígio de acrobacia literária e política Jean de La Fontaine e Molière conseguirem produzir e apresentar suas fábulas e comédias dentro e mesmo referentes à corte de Versailles de Luis XIV. No Brasil, no período militar, Costa e Silva foi o último presidente a ensejar (sem querer, claro!) alguma tirada para afrouxar um pouco o riso (É que os Fleuri, Ustras, Gonçalinos e seguidores ainda não tinham se superado... Quem reler o PASQUIM, o Ato o Fato, de C. Cony, N. W. Sodré, as músicas de Chico Buarque, Estanislau Ponte Preta, Plinio Marcos, Roque Santeiro... pode recuperar pelo retrovisor os trejeitos e mesmo os estertores de situações históricas longevas além de 7 vidas... Bolsonaro reinante parece empurrar alguma graça (sem querer...) desde que não se respire muito!

A mensagem caricaturada da dita piada, por vezes, é deliciosamente indolor: Dizem além fronteira: Messi é o 1º do Mundo e o 3º  na Argentina... Ou quando convém não distinguir se o Chalita saiu ou se o Chalita soyéu... Ou os misteriosos imparciais recursos de orador (sacro) daquele padre da fronteira que toda santa Semana Santa apostrofava aquele traidor castelhano Judas... tanto que a indignado pedido (ordem) dos Hermanos o sr. Bispo chamou o reverendo nos tentos que prometeu não mais ligar Judas com castelhanos. Mas, como pangaré de borracho, ao comentar o Evangelho de Sexta Feira da Paixão, quando na suprema angústia Jesus declara "um de vós irá me trair", o sacerdote poliglota leu "Acaso serei Yo, señor?"

Tão atroz bulling pseudo humorístico anti-sogra carece de muito melhor exercício de compreensão.  Com o avental de lauta benemerência. Qual casal não recebeu orientação, assistência ao genro, à filha, aos netos, por longos anos e até em grau de heroísmo? Claro, "perder" a filha, expo-la a talvez não ser amada, expor netos, talvez mesmo botar a colher de permeio ao casal... A linha divisória entre conveniência e inconveniência soe pouco demarcada.

Mas, francamente (dizia Leonel) um mínimo de justiça determina se resgate a figura da sogra, desbastadas eventuais excrescências, com ajuda de Freud e entendimento do contexto histórico.

Parafraseando soneto de autor esquecido:

Que quem já é pecador

Sofra tormentos, enfim

Mas, às SOGRAS, Senhor,

Porque lhes dai tanta dor?

Por que padecem assim?

 

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