22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,41 Dólar R$ 3,93
22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,00 Dólar R$ 3,00

Blog do Igor Dalla Rosa Muller

Desperdício

Tem que acabar com a fera

Por Igor Dalla Rosa Muller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Construída a mão pelos colonizadores no passado, na base da picareta, hoje, com toda tecnologia do presente e equipamentos sofisticados não se consegue manter muito menos aproveitar esse patrimônio abandonado

-----------------------------------------

A sociedade brasileira está no limite e precisa de reformas, contudo, tem que ser medidas que tenham como objetivo mudar a estrutura econômica, política e social do país. Do contrário, tudo vai permanecer igual, apesar de produzir muita riqueza o Brasil é uma das nações mais desiguais do mundo, gera numa escala ainda maior muita exclusão e miséria.

O cidadão não aguenta mais pagar tantos impostos e não ter um retorno efetivo em serviços públicos na área da saúde, segurança, educação, infraestrutura. E, quando a pessoa precisa desses serviços tem que pagar novamente por eles.

Chegou a hora de dar um basta, ter uma ruptura em toda a estrutura que aí está, do jeito que vai todos perdem, somente uma pequena minoria se beneficia dessa situação. Não se está gerando empregos, tampouco riqueza, e muito menos fazendo investimentos públicos. Pra quem afinal está bom?    

Como quebrar paradigmas e os alicerces que aí estão: e não estou falando de baderna e esculhambação. Muito pelo contrário, mas de uma reviravolta institucional, feita na estrutura do poder estabelecido, nas leis e na maneira de fazer política econômica do país.

A questão econômica não pode ser dissociada da área social e muito menos cultural. O Brasil chegou numa encruzilhada, e a estrada que seguir daqui para frente vai definir se será uma nação próspera ou cada vez mais decadente e miserável. A situação atual se assemelha a um desses períodos históricos marcantes e revolucionários em que o que for decidido é vital para dividir as riquezas ou concentrá-las ainda mais.

O modelo atual só concentra a riqueza produzida pelo país num estado cada vez mais insaciável e menos útil ao cidadão, associado a um sistema financeiro preocupado simplesmente em manter a si mesmo.

É assim que se vai continuar. Essa vai ser a opção? Uma sociedade com poucos privilegiados e caminhando para uma grande massa de miseráveis? Esse é o futuro que se projeta?

O Brasil e os estados têm que rever o seu maior problema: a dívida pública. Entender e mudar o sistema que os alimenta, os juros elevados, toda essa dinâmica que está ruindo com a economia e toda a estrutura do país. Colocando tudo a perder. Esse rombo vem de muitos anos e tudo que se fez desde então não foi suficiente para fechá-lo.   

Esse monstro chamado dívida pública, alimentado pela própria política econômica praticada pelo país, já se tornou indomável e, agora, passa a se alimentar de seres humanos. Sim, não é nenhum exagero. E se continuar assim não vai sobrar ninguém.

Não importa o que se faça, a fera já está comendo as próprias entranhas e quer sempre mais. Permanecendo do jeito que está, tudo será engolido por esse monstro e o seu sistema. Não sobrará um sistema produtivo, agrícola, consumidores, empresas e indústrias! É isso que se quer?    

Todos os olhos da sociedade devem se voltar para essa situação, e, principalmente, a atenção mais do que urgente da classe política, eleita para isso, e que define os rumos do país. Esse é o momento de cobrar dos representantes públicos que façam aquilo que se propuseram a fazer. Eles não foram obrigados a governar o Brasil ou o estado do Rio Grande do Sul. Mas se ali estão, agora está na hora de agir, e não de qualquer forma, mas com o objetivo de preservar o mercado interno brasileiro.

Sem geração de riquezas, empregos e trabalho não sobra base para nada. O Poder Executivo, Judiciário e Legislativo não se sustentam, o governo não terá como subsistir. Não haverá mais como pagar pelo seu funcionamento, pelos seus privilégios e mordomias. A não ser que se queira levar a morte milhões de brasileiros, por fome, miséria, criminalidade, doenças, e muito disso já ocorre.    

O Brasil está diante de um momento de ruptura, transformação, não aguenta mais seguir o mesmo caminho. Tem que quebrar a lógica atual de concentrar dinheiro em Brasília quando as necessidades estão nos municípios; romper com os privilégios, o favorecimento de pequenos grupos, quando a população passa fome e morre por falta de medicamento, saneamento básico, saúde, educação.         

Sempre houve grandes homens e mulheres, que quiseram mudar, melhorar e projetar um futuro melhor para todos, mas foram ignorados, neutralizados pelo poder instituído com visão limitada e corporativa. Se a opção for seguir a mesma toada, mais dia menos dia, a fera vai bater na porta de todos.

------------------------------------------------------------

Reforma da Previdência

Segundo a coordenadora de pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Patrícia Pelatieri, não vê com bons olhos o que está sendo proposto. “A reforma e o pacote de políticas que vem sendo adotadas, o futuro que a gente enxerga se isso de fato prosperar é de um país de miseráveis”, diz.

Quem ganha com a reforma

Conforme ela, o sistema de capitalização é a transferência de um fundo bilionário para o sistema financeiro. “Estamos falando de um ganho acumulado de bilhões anuais, imagina o interesse que tem o sistema financeiro nessa conta”, diz.

A pesquisador afirma que o Chile que instituiu esse sistema, e as seis corporações que dominam os fundos de Previdência estão bilionários e o povo que contribuiu com 10% do seu rendimento ao longo de 35 a 40 anos está na miséria. E o estado também não ganhou nada porque está tendo que complementar.

Os riscos do sistema de capitalização da Previdência

Segundo Patrícia, um estado que trata a maior política de proteção social como um problema fiscal, de despesa, de fato significa caminhar para o fim desse sistema de proteção e jogar para a individualidade. “Isto é, o indivíduo que tiver capacidade de contributiva vai fazer a sua poupança para a sua velhice com uma série de riscos. E aí tem vários exemplos para citar de sistema de capitalização individual, e não é só o Chile, que não deram certo, numa série de países. E hoje depois de décadas estão vendo que não tem segurança nenhuma”, diz.    

Ela diz que privatizar um fundo público bilionário, colocá-lo nas mãos do sistema financeiro para ser gerenciado, da forma como eles bem entenderem, tem risco para quem entra no sistema de capitalização e para quem fica no sistema de repartição.

O que muda com a reforma

Conforme Patrícia, de cara se aumenta a idade mínima das mulheres para 62 anos e dos homens 65 anos e tem que combinar a comprovação de 20 anos de contribuição. “Isso vai excluir uma parte significativa dos trabalhadores, que são mais vulneráveis, mulheres, negros, do emprego doméstico, os segmentos mais vulneráveis do mercado de trabalho”, afirma.

Comprovando os 20 anos e tendo a idade mínima o trabalhador tem direito a receber 60%, se quiser receber 100%, tem que comprovar mais 20 anos de trabalho para poder ter direito a 100%, da média rebaixada. “De toda forma já tem uma perda aí”, diz.

Patrícia afirma que essa é uma conta que não fecha e quanto mais o mercado de trabalho for flexibilizado, mais se terá problemas nas receitas previdenciárias. “Quanto menos a economia cresce, mais problemas se tem na receita previdenciária”, explica.

A pesquisadora ressalta que “a questão do financiamento da Seguridade Social está muito mais na opção de um projeto de desenvolvimento e da dinamização da economia do que no ajuste de despesa massacrando o trabalhador”.

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Aquário
21/01 até 19/02
Toda a força que você fez para que...

Ver todos os signos

Publicidade