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Saúde

Rejane Lis Menegaz Ströher

Incontinência urinária em mulheres durante exercício físico

Por Rejane Lis Menegaz Ströher
Foto Divulgação

A prática regular de exercício físico é uma medida importante na prevenção primária de diversas doenças crônicas. Estudos demonstram que se exercitar de forma moderada, no mínimo 90 minutos/semana, aumenta em cerca de três anos a expectativa de vida. Entretanto, o exercício crônico, extenuante e sem acompanhamento multiprofissional é um fator de estresse que pode levar a mudanças sistêmicas, com envolvimento dos sistemas musculoesquelético e neuroendócrino, deixando as mulheres mais suscetíveis a desenvolver distúrbios menstruais e disfunções do assoalho pélvico.

Os exercícios de alta intensidade e alto impacto tem efeito direto no sistema de sustentação e suspensão dos músculos, podendo ocasionar desordens no assoalho pélvico. Dentre todas as disfunções, a incontinência urinária e a incontinência fecal têm sido relatada em mulheres que praticam atividade física de forma regular. No Brasil, o risco de incontinência urinária em esportistas é três vezes maior em comparação ao das sedentárias da mesma faixa etária.

A maior prevalência de incontinência urinária ocorre em esportes que envolvem atividades de alto impacto. Risco alto em atividades como pular corda, ginástica olímpica, trampolim acrobático, cama elástica, atletismo, vôlei e basquete. Risco moderado na corrida e crossfit. E risco baixo na natação, ciclismo e golfe.

O aumento da pressão intra-abdominal durante a atividade esportiva é o principal fator de risco para disfunções do assoalho pélvico na atleta. O exercício físico extenuante, que aumenta cronicamente a pressão intra-abdominal, pode sobrecarregar e danificar os músculos, ligamentos e fáscias e ocasionar deficiências musculares. Longos saltos podem gerar uma força máxima de reação do solo que aumenta em até 16 vezes o peso corporal e quanto maior o contato do pé com o solo, maiores serão as lesões encontradas no assoalho pélvico.

Além de fatores biomecânicos, alterações hormonais secundárias a um comportamento alimentar inadequado e a hipermobilidade articular contribuem para deficiências desses músculos. O sistema geniturinário é sensível aos efeitos de estrogênio e progesterona. Níveis adequados de estrogênio são fundamentais para o fechamento uretral eficaz e a concentração de colágeno no tecido conjuntivo que compõe a pelve feminina também contribui para sua eficiência.

O impacto causado pela incontinência urinária abrange as esferas sexual, social, doméstica e ocupacional. Mulheres incontinentes se sentem constrangidas para a realização de atividades sociais e esportivas, além de serem menos atraídas para o relacionamento sexual. Estudos mostram que essas pacientes apresentam sintomas depressivos, acompanhados de diminuição da autoestima e aumento da ansiedade.

O tratamento não cirúrgico, através da fisioterapia pélvica e a utilização de dispositivos anti-incontinência (pessários), é considerado a primeira escolha de intervenção em esportistas com incontinência urinária. E em alguns casos há a necessidade de tratamento cirúrgico.

Portanto, mulheres que praticam atividade física regular e principalmente as que fazem atividades de alto impacto devem ter acompanhamento multidisciplinar. É importante garantir o aporte energético através de acompanhamento com nutricionista ou nutrólogo, minimizar o impacto do peso corporal no solo durante a corrida e os saltos, utilizando calçados adequados, manter acompanhamento fisioterápico para fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico e realizar avaliação médica especializada para determinar a gravidade e tipo de incontinência, se há prolapsos genitais associados e desta forma definir um melhor tratamento.

 

Rejane Lis Menegaz Ströher

Médica ginecologista-obstetra e uroginecologista

Mestre em Ciências pela Unifesp