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Blog de Igor Dalla Rosa Muller

  • Mito e radical

    Por Igor Dalla Rosa Muller

    O abandono das ferrovias é um exemplo de como a lógica da política brasileira tem visão curta.

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    No Brasil, quando se trata de mudar a realidade tudo vira mito, principalmente quando o assunto é dinheiro público para investimentos. Passa ano entra ano e as demandas prioritárias em período de eleições gerais, há muitos anos, são sempre as mesmas: saúde, segurança, educação, infraestrutura. O problema que essa realidade não se altera. Mas por quê? No meu simples entendimento, porque nunca se chega às causas, à raiz do problema.

    Mas essa resposta é muito simples demais, alguém pode dizer. Sim e não. Acredito que é isso que falta, o olhar objetivo, decidido a enfrentar os problemas, que não são simples, aliás, são muito maiores do que parecem, mas tem causa, não são desprovidos de origem.

    Como se impede qualquer esboço de mudança social, econômica, política? Tornando a realidade um mito, criando monstros, com roupagem excessivamente ideológica, uma luta entre bem e mal, direita e esquerda, enfim, estabelecendo forças contrárias e incompatíveis, e difundindo massivamente isso, minando a cabeça das pessoas. Essas são algumas formas para se deixar tudo como está. Isso para ficar no campo das ideias, da cultura, que para o bem ou para mal, exerce influência decisiva sobre todos nós.           

    Estamos chegando ao final de mais um governo estadual no Rio Grande do Sul, e o que foi feito pelo Alto Uruguai no que diz respeito aos 11 municípios sem acesso asfáltico? Nada. Não se propôs nenhuma alternativa para resolver essa situação em quatro anos por falta de dinheiro e também ideias.

    A questão financeira é essencial. É ou não é? A princípio sim. Tanto o governo estadual quanto o federal diz que não há dinheiro para investir, que a máquina está sobrecarregada, não aguenta mais um suspiro e tem que fazer reformas radicais. Mas o que é ser radical? Ir até a raiz do problema. Mas como?     

    No caso do RS, o Estado está endividado e não tem mais capacidade de investimentos. Assim, a medida radical seria questionar a dívida com a União, que segundo alguns já foi paga, na pior das hipóteses teria que renegociar uma diferença, já que tem também a receber.

    No caso do Brasil a situação é semelhante, o maior gasto hoje do governo federal é com juros e amortizações da dívida pública, isto é, cerca de 40% de toda riqueza que o país produz é destinada para essa finalidade. Em segundo lugar vem a Previdência Social com 25% de todo orçamento. A transferência para estados e municípios é de 8,68%, saúde 4,14%, educação 4,10%, segurança pública 0,37%, saneamento 0,03%. O que vem sendo feito é cortar os recursos dos municípios, saúde, educação, segurança, saneamento. Isso é ser radical?

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