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Blog de Coluna do Leitor

  • "Gaúcho é um estado de espírito"

    Por Coluna do Leitor
    Foto Antonio Grzybovski

    Liciane Terezinha Demoliner
    Tradicionalista

    Como disse nosso grande Tradicionalista Paixão Cortês: "Se você nasceu no Rio Grande do Sul é Rio Grandense, Gaúcho é um Estado de Espírito". Concordo plenamente com Paixão. Sim, realmente Gaúcho é um Estado de Espírito, onde o coração não é pequeno e os sonhos não tem limites. O Acampamento Farroupilha engrandece esse Estado de Espírito, como é maravilhoso chegar aqui no acampamento ao entardecer, sente-se uma vibração diferente do corre, corre do dia-a-dia, do estresse do trabalho, é algo que transcende o real. 
    Ah! Sentir o cheiro da fumaça do fogo sendo preparado para o churrasco não incomoda pelo contrário vira perfume francês. Ouvir o estralejar da lenha no fogão para cozinhar a boia, esquentar a água para o chimarrão. Aquele aroma delicioso do café fresquinho, recém coado no coador de pano saindo pela janelas e portas dos galpões.  Ao se observar as crianças brincando, sendo crianças, sem as parafernálias eletrônicas, sem a necessidade da TV, vídeo game, celulares para ser feliz, apenas sorrisos, gritos na alegria na brincadeira do pega-pega ao fugir do seu pegador. Ou ainda ao observar alguns olhares saudosos, quem sabe!? Do lembrar da sua época de piazito, ali, vendo aquele alvoroço de crianças faceiras. 
     No caminhar apresadito dos peões e prendas que vão se achegando no acampamento para iniciar a boia nos galpões, ou para a troca da guarda da Chama Crioula. É algo que arrepia e arrebata a alma de um Gaúcho, é só quem tem esse Estado de Espírito que sabe compreender a importância da vida e da história de um povo que busca cultivar viva a memória e as raízes de seus antepassados. Ser Gaúcho é se emocionar ao ser convocado para ser guardião da Chama Crioula, ou ser guardião da Chama Itinerante, mas para quem tem o Estado de Espírito Gaúcho é igual a estar ali protegendo a alma e o coração de heróis que lutaram por ideais de liberdade, heróis que deram suas vidas para tentar mudar um País. 
    Cada galpão construído ali no acampamento tem sua própria história para contar e, ao mesmo tempo contam histórias de um povo que não se perderá jamais, quando se tem um Estado de Espírito Gaúcho em cada um que ama suas raízes, que ama as coisas simples do Rio Grande do Sul. O entardecer ou ao amanhecer num acampamento então, é indescritível, mas ali parados no tempo da história Farroupilha a vida faz-se ser ouvida, e, vivida com mais intensidade. Ali se conhece os vizinhos, um vizinho empresta fogo para outro, prato, panela ou o que faltar no galpão. Ao encontrar os vizinhos na rua se cumprimenta com aperto de mãos, abraço, beijos ou um cumprimento bem galderio entre os homens, outras vezes um bom dia, uma boa tarde, pela janela mesmo ou pela varanda. Compartilha-se a vida em rodas de chimarrão, rodas de conversas, de prosas infindáveis. Adultos brincam, vibram e se divertem como se fossem crianças em gincanas nas brincadeiras de carrinho de mão, cabo de guerra, correr de tamanco de pau, pular corda com os mesmos tamanquinhos, jogar peteca, bilboquê, ou, se apresentando em show de novos talentos onde se entra no palco, apavorados para cantar, declamar, tocar um instrumento ou, dançar pela primeira vez diante de um público bem atento, tudo com medo de errar e prejudicar o seu grupo em pontuações, mas depois que passa, ufa! Que alívio, mas até que gostaria de repetir a experiência! Ou brincar de atrelar um cavalo de pau para ver quem é o mais rápido entre as equipes, atirar pedrinhas com bodoque, ou ainda nos jogos campeiros como a bocha, o quarenta e oito, truco ou tetarfe, é como se o tempo não passou para eles. Ah! E as torcidas, uma verdadeira meninada ao redor das canchas incomodando com o barulho os jogadores adversários.
    Ali, no acampamento Farroupilha, é um mundo totalmente a parte do mundo real, mas com real importância para que possamos passar momentos agradáveis e especiais junto as nossas famílias, conviver com os nossos antepassados, com nossas raízes e transmitir para o nosso futuro um legado de estado de espirito bem gaúcho.

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